Espaço do Autista

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MÉTODO TEACCH

            Tratamento Educacional Para Autistas e Crianças Com Deficiências  Relacionadas à Comunicação

 

            No final da década de 60 no departamento de psiquiatria da faculdade de Medicina da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill, Estados Unidos, um grupo de profissionais criou-se um programa chamado TEACCH, para atender crianças autistas e de problemas de comunicação.

Este grupo atuava a partir de uma visão psicanalítica, oferecendo liberdade total às crianças e terapias aos pais, para tentar modificar sua relação com os filhos, para eles seria a causadora de seus distúrbios.

Esta era a visão que se tinha de autismo na época, devido a problemas causados pelos pais, em conflitos internos, provenientes de sentimentos inconscientes de rejeição e hostilidade, provocados por pais emocionalmente “frios”.

Eric Schoper se juntou ao grupo, pois estava descontente com os resultados.

Conforme foi avançando os estudos, as teorias que culpavam os pais foram caindo, e a educação foi assumindo um papel importante no tratamento do autismo. Com esta alteração na mudança da concepção do autismo, a proposta terapêutica também foi reformulada, e com isso os pesquisadores receberam uma verba federal submetido à apreciação do Instituto Nacional de Saúde Mental.

            Então Eric Schoper, propôs uma abordagem diferente que consistia em estudar questões relativas ao diagnóstico, avaliação e tratamento a partir de uma estruturação do ambiente, participação dos pais, currículos especiais e um plano de ensino individualizado para cada criança.

            Os profissionais tiveram como base, os trabalhos aplicados das teorias motivacionais e behavioristas.

            Em 1972, o TEACCH foi adotado nos Estados Unidos como o primeiro programa estadual para atendimento a crianças autistas e portadoras de deficiências na comunicação e seus familiares.

 

 

O programa TEACCH é baseado nos seguintes princípios:

• Pontos fortes de interesse do aluno;

• Avaliação contínua e cuidadosa;

• Ajuda para entender os significados;

• Dificuldades resultantes do déficit na compreensão;

• Colaboração e apoio aos pais;

 

Tendo como base estes princípios o programa tem alguns objetivos entre eles estão:

Ensinar relação de causa e efeito: Já que muitos autistas não reconhecem que sua ação no mundo pode gerar acontecimentos previsíveis.

Comunicação Grande parte dos autistas não fala, e a importância do programa é a de ensinar ao autista, formas expressivas e/ou alternativas de comunicação como trocar figuras, digitar palavras, etc. Já para os autistas que possuem a fala, podem ser auxiliados, com novos vocabulários, etc.

Apoiar em seu desenvolvimento para ajudá-los a conseguir chegar à idade adulta com máximo de independência: Os comportamentos são focalizados para a sua utilidade futura, favorecendo o máximo de independência possível nas áreas de comunicação, cuidados pessoais, interesses de lazer e vida em comunidade.

            Este programa trabalha com a avaliação individualizada, currículos adaptados, equipe preparada, participação familiar, reformulação de materiais (que precisam estar sinalizados e organizados visualmente), mobiliários e estímulos visuais, com intenção de tornar as atividades mais compreensíveis.

 

 

Técnicas Educacionais do TEACCH:

Apresentação visual da informação: Os materiais e a estrutura física facilitarão a compreensão do meio, e possibilitarão que o aluno autista atinja o sucesso com mais eficácia. Palavras (verbais) e ajuda física podem ser utilizadas como apoios.

Salas de aulas: Elas devem estar livres de estimulações visuais e auditivas em excesso.

Trabalhar de cima para baixo e da esquerda para a direita: As estratégias de trabalho são apresentadas nas seqüências esquerdo-direita e de cima/para baixo.

Conceito de terminar acabou: Ensina os alunos o conceito de terminado (noção de FIM). Eles possuem uma dificuldade na compreensão de eventos em seqüenciais, na assimilação da duração e freqüência das atividades.

Rotinas com flexibilidade: As rotinas oferecem a eles estratégias para compreender e prever a seqüência de eventos ao seu redor, diminuindo a ansiedade e a agitação.

Individualização: Os currículos precisam ser adaptados às individualidades, às áreas de dificuldades e de comportamentos a serem desenvolvidos.

 

Para alguns autores, o uso do ensino estruturado para a aprendizagem do aluno autista é o único tratamento que tem se mostrado eficaz ao longo dos anos, na medida em que ajuda a acalmá-lo, utiliza recursos das pistas visuais para auxiliá-lo no foco das informações mais relevantes e incentiva a independência. O uso das técnicas com autistas verbais e não verbais, aumenta a habilidade comunicativa e também facilita o desenvolvimento da linguagem em todos os níveis.

 

 

Organização e Confecção dos Materiais do Método TEACCH

 

Estrutura Física:

Organizada em cada área da classe, com moveis e materiais, para que o aluno compreenda as várias atividades que serão ali desenvolvidas. A estrutura física deve conter:

• Área de grupo – para trabalhar a tolerância em permanecer sentado e esperar sua vez.

• Área de trabalho: O momento do trabalho pode ser realizado de duas maneiras: dependente e independente. O trabalho dependente é proposto nas mesas de trabalho 1:1 (um adulto e um aluno). Nesta mesa as atividades novas são ensinadas, até que consiga completá-la de forma independente. A partir do momento que a tarefa foi assimilada de forma independente, esta estratégia é transferida para a mesa de trabalho independente, que é o espaço onde eles podem trabalhar de forma autônoma e sem interferência.

• Área de lazer: É onde permanece em lazer por alguns momentos.

 

Agenda:

O aluno, ao chegar à sala, deve ter informação clara sobre o que se espera dele naquele dia e quando estará terminado. Como indicativo para as atividades, utilizamos à agenda, contêm a rotina diária, todas as atividades do dia.

Com isso, eles aprendem mais rápidos, reduzem comportamentos inadequados, e ficam mais independentes. Para os autores, os suportes visuais, ajudam na transição entre ambientes, auxiliam na compreensão de tarefas, no reconhecimento de regras e rotinas, favorecem escolhas e incentivam a iniciativa.

A agenda tem por objetivo principal informar visualmente qual a rotina

Do dia de trabalho de maneira     que eles possam entender com mais facilidade. Estas podem ser organizadas em painéis seguindo as orientações de cima para baixo ou da esquerda para direita. As etapas do dia são sinalizadas por meio de sinais visuais (objetos, fotos, cartões) e a cada fase concluída, o sinal é retirado do campo visual do indivíduo. Cada um manipula a sua agenda para indicar que a atividade esta terminada, retirando o cartão e colocando-o em uma caixa que simboliza que aquele trabalho esta “pronto”.

 

As agendas podem ser:

• Objetos concretos: Este é o mais simples, é utilizado para os alunos que são mais prejudicados em termos cognitivos. Exemplo: Uma escova de dente, para indicar o momento da escovação.

• Figuras: É o mais comum. É elaborado um cartão correspondente com figuras ilustrativas. As figuras podem ser de revistas, desenhos manuais, ou os símbolos universais pictóricos conhecidos como PCS- (Picture Communication System).

Fotos: Fotografar situações mais próximas das reais, com o próprio aluno de personagem, os reais locais de trabalho, os materiais que serão utilizados, os espaços.

Figuras + palavras: Esta é para os alunos que estão em fase de alfabetização e precisam de mais um apoio.

• Palavras: Utilizam-se as palavras escritas isoladas, sem figuras, quando o indivíduo já esta completamente alfabetizada e consegue compreende seqüência do dia apenas com uma leitura.

 

 

Sistemas de trabalho 

São sistemas elaborados para que o indivíduo receba e compreenda a informação.

A apresentação dos materiais na ordem da esquerda para a direita, com apresentação da caixa do acabou, quando terminar uma atividade, está deverá ser colocada num cesto ou indicador na própria mesa que significa que terminou.

Pareamento: de cores, formas, letras, numero: No momento que dirigir-se para a mesa de trabalho, o aluno tem uma orientação sobre o que fazer. O seu sistema define o início da atividade e qual é a atividade que será feita. Ele irá parear a orientação que esta em sua mesa com a indicação que esta na atividade.

 

 

Estrutura Visual 

            A apresentação dos materiais e jogos para os autistas antes de serem apresentadas a eles, devem ser reformuladas e reformadas, Por isso, não basta oferecer livremente atividades pedagógicas ou brinquedos, pois poderá causar problemas de comportamento, dificuldades na compreensão das ordens, desvio de atenção e estereotipias.

            A visualização “fala” para os alunos a seqüência correta para completar as atividades. Não podemos esquecer da organização do material e do ambientes, pois estes auxiliam na captação das informações.

            As atividades são organizadas em uma estrutura viso-espacial, sendo que do lado direito fica a área de armazenamento e do lado esquerdo a área de execução (as atividades são colocadas quando concluídas).

            Vários países estão adotando o ensino estruturado do TEACCH como modelo educacional para alunos com autismo, como Inglaterra, Japão, Bélgica, França, Dinamarca e Suíça.

            O TEACCH teve início no Brasil somente no final dos anos 80, época em que o autismo passou a ser mais estudado e divulgado no nosso país. Mas não se encontra registros quanto à aplicação do TEACCH, quantas escolas o utilizam, sob quais condições e seus resultados.

            Observações informais mostram que existem várias escolas e instituições que utiliza os princípios TEACCH, com abordagem psicopedagógica, porém não se encontra dados estatísticos atualizados sobre a aplicação do programa em instituições brasileiras.

 

 

Bibliografia

 

- FONSECA & CIOLA (2009). O Programa TEACCH: Estrutura e formas de aplicação na realidade brasileira. Volume I. Terceira Ediçao. Impresso pela Gráfica Pirassununga para uso didático.

- TRANSTORNOS INVASIVOS DO DESENVOLVIMENTO 3º MILÊNIO
Walter Camargos JR e Colaboradores, 2002 1ª EDIÇÃO

 
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